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Novos desenvolvimentos na ciência do ensino levantam questões importantes sobre a concepção de ambientes de ensino e sugerem a importância de repensar estas definições. Foram feitas algumas tentativas para ligar os processos de pedagogia com os requisitos de espaço (Gaffney et alt 2008, Oblinger 2006, Fisher, K. 2005).

Novas abordagens pedagógicas, baseadas em estratégias colaborativas centradas no aluno (por exemplo, aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem baseada em provas, estudo reflexivo, trabalhos em grupo), fomentam actividades de aprendizagem, que são socialmente mais responsáveis e reflexivas (Gibbons, 1994). Isto resultou numa crescente necessidade de mais Espaços de Aprendizagem Activos (EAA), (por exemplo, laboratórios, estúdios) para troca interactiva do conhecimento (Schon, 1985).

O destaque social para a troca de informações e conhecimentos entre os alunos também se tornou o foco dos EAA. O tempo gasto socialmente em configurações peer-to-peer discutindo trabalhos académicos ou outros assuntos relacionados é parte do processo de aprendizagem (e Oblinger Lomas, 2006). Isto acontece através de processos flexíveis e informais e em cenários casuais de comunidade, (por exemplo, lobbies, salas comuns), permitindo uma maior tolerância do ruído e da actividade.

Pesquisas feitas por Scott-Webber (2004) examinam o ambiente social e informal de aprendizagem e a redução das actividades formais de aprendizagem calendarizadas. A importância de "learning hubs" - recintos formais e informais de aprendizagem e áreas de socialização para estudantes - é enfatizada, bem como espaços onde as pessoas vão para "aprender por terceiros" através da colaboração e partilha de informações num processo social e casual de duas vias (face – a – face ou por meios interface).

Chism (2006) explora o conceito de espaço de " aprender por terceiros ", como um fórum de discussão e partilha de informação (por exemplo, exposições, feiras), onde ocorrem contactos informais e apoia a sua contribuição para melhorar a aprendizagem: "Ambientes que proporcionam experiências, estimulam os sentidos, incentivam a troca de informações, e oferecem oportunidades para o ensaio, a experiência, aplicação e transferência são mais propícios ao apoio da aprendizagem".

A ideia da relação entre o espaço e a partilha de conhecimentos no ambiente de trabalho das empresas tem sido objecto de intenso estudo há vários anos. O modelo conceitual proposto por Duffy (1997) e as ferramentas para descrever os diferentes usos dos locais de trabalho tendo em conta os diferentes modos de partilha de conhecimento (em colaboração versus auto centralizada) parece ser particularmente útil para ser aplicada ao estudo dos EAA, considerando as abordagens contemporâneas pedagógicas e a diversidade de modos e estilos de aprendizagem.

Até que ponto será possível estimular instituições de ensino secundário superior, para promover e fomentar a EAA e experiências de seus alunos?

Isto implica que as instalações escolares sejam reconfiguradas para suportar mudanças no contexto social da educação (Herz, J. 2005, Strange & Banning, 2002).) Defendemos que proporcionar o estudo do aluno e promovendo experiências contínuas e eventos de ensino exige, por si, a adequada aplicação da análise espaço - funcional (AEF), a fim de avaliar a adequação dos ambientes de aprendizagem e os efeitos do ambiente físico em uso.

AEF é sobre técnicas que descrevem os ambientes objectivamente e relacionam essa descrição aos problemas específicos de utilização, a fim de avaliar sua adaptação. É sobre o mapeamento de ambientes e comportamentos espaciais dos utilizadores e para explorar as suas relações. A maioria das pesquisas AEF, desenvolvidas no âmbito de estudos espaço-funcionais, focam a relação entre as características espaciais e as qualidades experimentais que os utilizadores observam (Gibson, 1979, Thiel, 1981, Zeizel, 2006). Recentemente, várias pesquisas foram feitas para definir modelos espaciais descritivos, que exploram padrões de co-visibilidade e co-acessibilidade e podem ser quantificados e correlacionados com dados funcionais e comportamentais, ou seja, Space Syntax Model (SS) (Hillier & Hanson, 1984, Peponis et alt 1997), complementados pela análise do gráfico de visibilidade (Turner, A., 2003).

Estes estudos fornecem um quadro valioso para o desenvolvimento do modelo EAA IN_LEARNING, em especial os que são aplicados à análise de ambientes de ensino (por exemplo, laboratórios de pesquisa (Hillier e Penn, 1991; Serrato e Wineman, 1999), estúdios de design (Peatross e Peponis, 1995), museus (Peponis et 2003, Heitor et alt 2005, Psarra, 2005). Em comum eles sugerem que o layout espacial influencia a partilha de conhecimentos e de socialização. A interacção social e informacional é influenciada pela forma como um espaço é definido, bem como pela forma como este se relaciona e está integrado com outros espaços. Nestes estudos, o comportamento espacial dos utilizadores é estabelecido e avaliado através de observações directas e questionários. Não é permitido sincronizar informação espacial não-arbitrária.

IN_LEARNING propõe o desenvolvimento de um modelo visando a obtenção de dados imparcial e independente da precisão de observação. O potencial da tecnologia de vídeo actual para descrever o fluxo de mobilidade, ou seja, a interacção e os padrões de navegação, bem como a correlação desses dados com a análise da estrutura espacial é explorado - análise de fluxo de Mobilidade (AFM). Este modelo é baseado na exploração da tecnologia de vídeo e processamento automático de imagens em movimento. Esta abordagem considera a aplicação de câmaras de alta resolução e definição de um algoritmo para detecção e rastreamento de alvos em movimento, desenvolvido especificamente para os fins deste projecto. Os dados de vídeo são cruzados com modelos Space Syntax, combinando a descrição espacial com a AFM, a partir do qual emergem e são identificados padrões espaciais de partilha informal de conhecimento.

A AFM é uma técnica de desenho de grafos utilizada para mapear o movimento de pessoas, objectos ou dados a partir de um local para outro. A maioria das AFM são desenhadas por software de gráficos vectoriais e, em seguida, ajustadas manualmente para reduzir a confusão visual resultante de margens sobrepostas. A AFM permite a identificação de padrões de mobilidade - interacção e navegação - para os eventos de aprendizagem observados e serve como elemento de apoio para avaliar a adequação do espaço.

 

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Bibliografia

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